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Documentos para exportar para a Argentina: o que emitir e quem cuida de cada um

11 min de leituraPor ComexAR

Caminhão sendo carregado na doca de uma fábrica brasileira com documentos para exportar para a Argentina sobre uma prancheta

Para reunir os documentos para exportar para a Argentina, a empresa brasileira precisa de três grupos: os fiscais e aduaneiros emitidos no Brasil (nota fiscal e DU-E), os comerciais que acompanham a carga (fatura, packing list, certificado de origem e documento de transporte) e os técnicos exigidos conforme o produto, como certificados sanitários.

A lista parece longa, mas a maior parte dos documentos sai de dados que a empresa já tem: o cadastro do cliente, a classificação fiscal do produto e as condições combinadas na venda. O que costuma gerar problema é a divergência entre eles. Uma descrição diferente na fatura e na nota, um peso que não bate com o packing list ou um certificado de origem com a NCM errada bastam para segurar a carga na fronteira.

Neste guia, organizamos os documentos na ordem em que aparecem na operação, explicamos quem emite cada um e mostramos o que o importador argentino precisa receber para liberar a mercadoria do lado de lá.

O que a empresa precisa antes do primeiro embarque?

Antes de emitir qualquer documento, a empresa brasileira precisa estar habilitada no Siscomex, o sistema de comércio exterior do governo federal, e precisa ter um comprador apto a importar na Argentina. Sem essas duas condições, nenhum papel resolve a operação.

A habilitação, conhecida como Radar, é concedida pela Receita Federal e regulada pela Instrução Normativa RFB nº 1.984/2020. Ela vincula o CNPJ da empresa e as pessoas autorizadas a operar em nome dela no Portal Único Siscomex. As modalidades variam conforme o porte e a capacidade financeira da empresa, e vale conferir em qual delas o seu CNPJ se enquadra antes de fechar a primeira venda.

Do lado argentino, toda importação precisa de um importador inscrito no registro aduaneiro da ARCA, a agência que reúne a receita e a aduana do país. Se o seu cliente ainda não é importador, a operação pode ser feita por meio de um Importer of Record na Argentina, que importa em nome próprio e entrega a mercadoria ao destinatário.

Também vale definir cedo a classificação fiscal do produto. Brasil e Argentina usam a mesma Nomenclatura Comum do Mercosul, a NCM, e o código escolhido aparece na nota fiscal, na DU-E, no certificado de origem e na declaração de importação argentina. Um código diferente em qualquer um desses documentos está entre as causas mais comuns de retenção.

Quais documentos para exportar para a Argentina são emitidos no Brasil?

Os documentos emitidos no Brasil são a nota fiscal eletrônica de exportação e a Declaração Única de Exportação, a DU-E. A nota formaliza a venda para fins fiscais; a DU-E registra a exportação na Receita Federal e serve de base para o despacho aduaneiro de saída.

A nota fiscal de exportação é uma NF-e emitida com o cliente argentino como destinatário e com os códigos fiscais próprios de operação com o exterior. As exportações têm imunidade de ICMS e IPI prevista na Constituição Federal, mas a nota precisa trazer a descrição correta da mercadoria, a NCM, as quantidades e o valor da operação, porque esses dados alimentam a declaração seguinte.

A DU-E é registrada no Portal Único Siscomex e substituiu os antigos Registro de Exportação, Declaração de Exportação e Declaração Simplificada de Exportação. Segundo o manual da Receita Federal sobre a DU-E, regulada pela Instrução Normativa RFB nº 1.702/2017, os dados básicos da NF-e, como emitente, destinatário e mercadorias, são importados automaticamente para a declaração. Na prática, um erro na nota se repete na DU-E: se a descrição estiver incorreta, a nota precisa ser substituída antes do despacho.

Quem registra a DU-E pode ser a própria empresa ou um despachante aduaneiro contratado no Brasil, desde que habilitado no Siscomex. Em exportações rodoviárias para a Argentina, o despacho de saída costuma acontecer em um recinto alfandegado perto da origem da carga ou diretamente na fronteira.

Que documentos comerciais acompanham a carga?

A carga para a Argentina viaja com a fatura comercial, o romaneio de carga (packing list) e, quando o produto tem origem Mercosul, o certificado de origem. São esses os documentos que o despachante argentino usa para registrar a importação, e qualquer diferença entre eles aparece na conferência.

A fatura comercial, ou commercial invoice, é o documento de venda internacional. Ela deve identificar o exportador pelo CNPJ e o importador argentino pelos dados de registro dele, descrever a mercadoria de forma completa e informar NCM, quantidades, preço unitário e total, moeda, Incoterm, condição de pagamento e origem. A descrição precisa ser a mesma da nota fiscal e, de preferência, detalhada o bastante para o despachante classificar o produto sem pedir esclarecimentos.

O packing list detalha como a mercadoria está embalada: número de volumes, tipo de embalagem, peso líquido e bruto e medidas. É o documento que a aduana usa para conferir a carga quando a declaração cai em canal vermelho, com verificação física. Peso diferente do informado na nota e no documento de transporte é motivo frequente de exigência.

O certificado de origem é o documento que garante o tratamento preferencial do Mercosul. Ele é emitido no Brasil por entidades habilitadas, como federações de indústria e associações comerciais, a partir da declaração do exportador de que o produto cumpre as regras de origem do Acordo de Complementação Econômica nº 18. Brasil e Argentina já trocam esse certificado em formato digital, o que reduz o risco de extravio e agiliza a conferência.

Analista de comércio exterior comparando fatura e packing list impressos no escritório de uma indústria brasileiraA conferência entre packing list, nota e fatura evita a maior parte das exigências na aduana

Por que o certificado de origem pesa tanto no custo?

Porque é ele que garante a tarifa zero de imposto de importação para produtos com origem Mercosul. Sem um certificado válido, o importador argentino paga a Tarifa Externa Comum sobre o produto, como se ele viesse de fora do bloco.

O efeito não para no imposto de importação. O Decreto 1140/2024 prorrogou até 31 de dezembro de 2027 a taxa de estatística de 3% sobre as importações para consumo na Argentina, mas manteve isentas as operações com mercadoria originária dos Estados Partes do Mercosul. Um certificado com erro, portanto, pode custar ao cliente o imposto de importação e a taxa de estatística ao mesmo tempo.

Os erros mais comuns são simples: NCM diferente da fatura, descrição genérica demais ou número da fatura ausente ou trocado. Como o certificado depende de a mercadoria realmente cumprir a regra de origem, produtos com muitos insumos importados precisam de análise antes da primeira venda, e não na véspera do embarque.

Vale lembrar que a origem não é automática só porque a mercadoria sai de uma fábrica brasileira. Produtos montados no Brasil com componentes de fora do Mercosul só têm origem se cumprirem o requisito específico ou o índice de conteúdo regional previsto no acordo para aquela posição.

Quais documentos de transporte são usados na rota rodoviária?

Na rota rodoviária, que concentra boa parte do comércio com a Argentina, a carga viaja com o CRT e o MIC/DTA. Os dois documentos são previstos no Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre, o ATIT, firmado entre os países do Cone Sul.

O CRT, Conhecimento de Transporte Rodoviário Internacional, é o contrato de transporte emitido pela transportadora. Ele identifica remetente, destinatário, mercadoria, volumes, peso e valor do frete, e comprova que a carga foi entregue ao transportador. O MIC/DTA, Manifesto Internacional de Carga e Declaração de Trânsito Aduaneiro, também é emitido pela transportadora e permite que o caminhão cruze a fronteira lacrado e siga em trânsito até a aduana de destino quando a nacionalização não acontece na fronteira.

No modal marítimo, o conhecimento de embarque (bill of lading) cumpre o papel do CRT, e o desembaraço acontece no porto argentino. No aéreo, o documento é o conhecimento aéreo (AWB). Em todos os casos, peso, volumes e descrição precisam bater com a fatura e o packing list.

Se a sua carga sai pelo Rio Grande do Sul, o artigo sobre exportação por Uruguaiana e Paso de los Libres mostra como esses documentos circulam na passagem de fronteira mais movimentada entre os dois países.

Quando entram certificados sanitários e técnicos?

Certificados sanitários e técnicos entram quando o produto tem controle específico na Argentina. Alimentos, bebidas, produtos de origem animal e vegetal, cosméticos, medicamentos, produtos médicos e diversos itens elétricos e industriais passam por intervenção de órgãos técnicos antes de serem liberados.

Do lado brasileiro, produtos vegetais costumam exigir o Certificado Fitossanitário e produtos de origem animal o Certificado Sanitário Internacional, ambos emitidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária conforme as exigências do país de destino. Do lado argentino, o SENASA controla a entrada de produtos de origem animal e vegetal, e a ANMAT, com o INAL, cuida de alimentos, cosméticos e produtos médicos. Itens elétricos e outras categorias podem precisar de certificação de segurança ou declaração de conformidade.

Essas exigências variam por NCM e mudam com mais frequência do que os documentos básicos. Desde a Resolução Geral Conjunta 5651/2025, que eliminou o SEDI em fevereiro de 2025, a Argentina deixou de exigir a declaração estatística prévia de importação, mas as intervenções técnicas continuaram. Por isso, a pesquisa de exigências deve ser feita produto a produto, antes da proposta comercial.

Fiscal agropecuário inspecionando caixas de frutas em câmara fria antes da exportação para a ArgentinaProdutos de origem vegetal e animal dependem de certificação sanitária nos dois países

Quem cuida de cada documento na operação?

Cada documento tem um responsável diferente, e boa parte dos atrasos nasce de não estar claro quem faz o quê. Em geral, o exportador cuida dos documentos fiscais e comerciais, a transportadora dos documentos de transporte e o importador argentino, com o despachante dele, da declaração de importação.

DocumentoQuem emitePara que serveErro mais comum
Nota fiscal de exportação (NF-e)Exportador brasileiroFisco brasileiro e base da DU-EDescrição ou NCM diferente da fatura
DU-EExportador ou despachante no BrasilDespacho de saída na Receita FederalDados herdados de uma nota com erro
Fatura comercialExportador brasileiroDeclaração de importação na ArgentinaDescrição genérica ou Incoterm ausente
Packing listExportador brasileiroConferência física na aduana argentinaPeso diferente do CRT
Certificado de origem MercosulEntidade habilitada, a pedido do exportadorTarifa zero e isenção da taxa de estatísticaNCM ou número da fatura incorretos
CRT e MIC/DTATransportadoraTransporte e trânsito aduaneiroVolumes e pesos diferentes dos documentos comerciais
Certificados sanitários e técnicosMAPA, certificadoras e órgãos argentinosIntervenções de SENASA, ANMAT e outrosExigência descoberta só na chegada

Do lado argentino, a declaração de importação é registrada pelo importador por meio de um despachante de aduana. É nesse momento que todos os documentos da tabela são conferidos em conjunto, e o canal de seleção define se a liberação será automática, documental ou com verificação física.

Para o exportador, a consequência prática é que o trabalho não termina na emissão da nota. Mandar o conjunto completo ao importador e ao despachante dele antes do embarque permite corrigir divergências enquanto a carga ainda está no Brasil, quando a correção é mais barata.

Como evitar que a carga fique parada por erro de documento?

A forma mais segura é revisar o conjunto antes do embarque, comparando os documentos entre si, e enviar cópias ao despachante argentino antes de o caminhão sair. A maior parte dos problemas é descoberta tarde porque cada documento é preparado por uma pessoa diferente.

Uma rotina simples resolve boa parte dos casos:

  1. Conferir se descrição, NCM, quantidades e valores são iguais na nota, na fatura e no certificado de origem.
  2. Conferir se pesos e volumes do packing list batem com o CRT e o MIC/DTA.
  3. Confirmar com o importador quais certificados técnicos o produto exige e se já foram providenciados.
  4. Enviar o conjunto ao despachante argentino para uma pré-conferência antes do embarque.
  5. Guardar a DU-E e os comprovantes de embarque, que servem de prova da exportação no Brasil.

Quando o erro aparece com a carga já na aduana argentina, a correção costuma depender de documentos retificados no Brasil, enquanto os prazos de armazenagem correm do lado argentino. Quanto antes a divergência for identificada, menor o custo com armazenagem, multa e atraso na entrega ao cliente.

Também ajuda padronizar. Empresas que exportam com frequência para a Argentina costumam manter um modelo de fatura e de packing list com os campos que o despachante argentino espera, uma descrição técnica aprovada para cada produto e a NCM revisada. Com isso, cada novo embarque repete um conjunto já testado.

Mãos fixando envelope de documentos na lateral de uma caixa lacrada na expedição de uma fábrica brasileiraDocumentos revisados e anexados antes da saída evitam pendências na fronteira

Documentação revisada, exportação mais previsível

Os documentos para exportar para a Argentina são praticamente os mesmos na maioria das operações; o que muda de um produto para outro são as exigências técnicas e o cuidado com a origem. Revisar o conjunto antes do embarque reduz o risco de retenção e dá ao seu cliente argentino uma importação sem surpresas. A ComexAR acompanha empresas brasileiras na exportação para a Argentina em português, da análise do produto ao desembaraço do lado argentino. Se você está preparando o primeiro embarque ou quer revisar um processo que já gerou exigências, fale com a nossa equipe e conte o que pretende enviar.

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