Carga retida na aduana argentina: o que fazer e como liberar
7 min de leituraPor ComexAR

Uma carga retida na aduana argentina quase sempre pode ser liberada, desde que o problema seja identificado e corrigido dentro dos prazos do Código Aduaneiro. O primeiro passo é descobrir o motivo exato da retenção com o despachante, porque cada causa tem uma solução diferente e o custo de armazenagem corre todos os dias.
Poucas situações deixam uma empresa tão ansiosa quanto saber que a mercadoria chegou à Argentina e não saiu. O cliente cobra, o caminhão ou o contêiner gera custo parado e, do Brasil, é difícil entender o que está acontecendo do outro lado.
A boa notícia é que a maioria das retenções tem causa documental ou de classificação, e não de fraude. Neste artigo, explicamos por que uma carga fica retida, quais prazos a lei argentina estabelece, o que fazer em cada caso e como evitar que a situação se repita nos próximos embarques.
Por que uma carga fica retida na aduana argentina?
As causas mais comuns são documentação inconsistente, divergência entre o que foi declarado e o que foi encontrado na conferência, classificação fiscal questionada, falta de certificado ou licença técnica exigida e valor declarado considerado baixo pela aduana. Em todos esses casos, a liberação depende de corrigir o ponto específico apontado pelo fiscal.
Vale separar dois cenários. No primeiro, a carga chegou, mas a destinação aduaneira ainda não foi registrada, seja porque falta um documento, seja porque o importador não está pronto. No segundo, a declaração foi registrada e a aduana encontrou um problema durante a análise ou a conferência física.
A aduana argentina distribui as declarações em canais de seleção. No canal verde, a liberação é praticamente automática. No canal laranja, há revisão documental. No canal vermelho, a mercadoria passa por conferência física. Quanto mais exigente o canal, maior a chance de uma inconsistência pequena virar uma retenção.
No canal vermelho, a mercadoria passa por conferência física antes da liberação
Quais prazos a lei argentina estabelece?
O Código Aduaneiro argentino, a Lei 22.415, dá ao importador 15 dias, contados da chegada do meio de transporte, para solicitar a destinação de importação. Passado esse prazo sem a solicitação, a lei prevê uma multa automática de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.
Os prazos seguintes são os que mais preocupam. Quando a destinação não é solicitada a tempo, a aduana publica a existência da mercadoria em seu boletim durante três dias. A partir da última publicação, o interessado tem 60 dias corridos para comprovar o direito sobre a carga e pedir uma destinação, pagando as multas que couberem. Vencido esse prazo, a aduana pode dispor a venda da mercadoria.
| Etapa | Prazo | Base legal | O que acontece |
|---|---|---|---|
| Pedido de destinação | 15 dias desde a chegada | Art. 217 | Prazo normal para registrar a importação |
| Atraso no pedido | Automático | Art. 218 | Multa de 1% sobre o valor aduaneiro |
| Publicação da carga | 3 dias no boletim aduaneiro | Art. 417 | A mercadoria passa a ser tratada como sem destinação |
| Regularização | 60 dias corridos após a publicação | Art. 418 | Último prazo para pedir a destinação |
| Venda pela aduana | Após o prazo anterior | Art. 419 | A aduana pode leiloar a mercadoria |
Esses prazos estão no Código Aduaneiro argentino, e a contagem começa a partir de fatos concretos, como a chegada do transporte ou a publicação no boletim. Por isso, a primeira informação a levantar em uma retenção é em que etapa a carga está e quantos dias já se passaram.
O que fazer assim que a carga é retida?
Reúna imediatamente o número da declaração ou do conhecimento de transporte, o local onde a carga está, a comunicação recebida da aduana e todos os documentos do embarque. Com isso, um despachante consegue consultar o sistema aduaneiro, identificar a observação feita pelo fiscal e indicar o caminho de liberação.
Do Brasil, a empresa costuma receber informações incompletas, repassadas pelo cliente, pelo transportador ou pelo agente de carga. Cada um vê uma parte do problema. Centralizar a análise em um despachante aduaneiro na Argentina evita decisões tomadas com base em suposições e reduz o tempo perdido.
Também é importante saber quem é o importador da operação. Se for o seu cliente, ele precisa autorizar e acompanhar as providências, porque responde pela declaração. Se a operação foi feita com um Importer of Record, é ele quem conduz a regularização com a aduana.
Como liberar a carga em cada situação?
A solução depende da causa. Documento faltante se resolve com a apresentação do documento correto; divergência de classificação, com a retificação e o pagamento da diferença de tributos; falta de certificação, com a obtenção do certificado ou, em alguns casos, com a reexportação da carga.
Nos casos documentais, como fatura com descrição genérica, packing list que não confere com a carga ou certificado de origem com erro, o caminho é corrigir o documento na origem e apresentar a versão correta. Por isso, o exportador brasileiro precisa estar disponível para emitir correções rapidamente.
Quando a aduana questiona a classificação fiscal ou o valor declarado, o importador pode aceitar o ajuste e pagar a diferença, ou apresentar documentação técnica e comercial que sustente o que foi declarado. Fichas técnicas, catálogos e contratos ajudam a defender a posição.
Nos casos de produto sem a licença ou certificação técnica exigida, a análise é mais delicada. Às vezes é possível obter a certificação com a carga já no país; em outras, a única saída é devolver a mercadoria ao Brasil. Quanto antes essa avaliação for feita, menor o custo de armazenagem acumulado.
A correção documental costuma ser o caminho mais rápido para a liberação
Quanto custa ter uma carga retida?
O custo vem de três frentes: a armazenagem diária no terminal ou depósito, as multas aduaneiras e eventuais diferenças de tributos. Em cargas rodoviárias, somam-se as diárias do caminhão parado na fronteira, que costumam ser o item que mais cresce nos primeiros dias.
Por isso, o tempo de reação faz diferença direta no resultado. Uma correção feita no segundo dia custa muito menos do que a mesma correção feita depois de duas semanas de armazenagem. Em operações de maior valor, vale incluir esse risco na análise de custos de importação feita antes do embarque.
Há também um custo comercial difícil de medir: o atraso na entrega ao cliente argentino. Em contratos com prazo de instalação ou de abastecimento, uma retenção pode gerar multas contratuais e desgaste na relação.
Como evitar que a carga seja retida de novo?
A prevenção começa antes do embarque: classificação fiscal confirmada, documentos revisados por quem conhece a aduana argentina, certificações obtidas com antecedência e importador pronto para registrar a destinação assim que a carga chegar.
Na prática, as empresas que menos enfrentam retenções seguem uma rotina simples. Enviam os documentos para revisão antes da carga sair do Brasil, usam descrições técnicas completas na fatura, confirmam a origem Mercosul quando querem a preferência tarifária e combinam com antecedência quem vai acompanhar o desembaraço.
Para quem está começando a operar com a Argentina, entender os modelos de importação também ajuda. No guia sobre como vender para a Argentina sem ter empresa lá, explicamos quem pode importar em cada caso e como isso afeta a documentação.
Sua carga está parada na Argentina?
Uma carga retida na aduana argentina tem solução na maioria dos casos, mas cada dia conta. A ComexAR trabalha com despachantes nas aduanas argentinas e atende empresas brasileiras em português, da identificação do motivo da retenção até a liberação e a entrega. Se a sua mercadoria está parada, fale com a nossa equipe informando o local e a pendência comunicada pela aduana, e avaliamos os próximos passos.
Perguntas frequentes
O importador tem 15 dias desde a chegada para pedir a destinação. Depois da publicação da carga no boletim aduaneiro, há 60 dias corridos para regularizar antes de a aduana poder vender a mercadoria.
O artigo 218 do Código Aduaneiro prevê multa automática de 1% sobre o valor aduaneiro quando a destinação não é solicitada dentro dos 15 dias.
São os canais de seleção da aduana. No verde, a liberação é praticamente automática; no laranja, há revisão documental; no vermelho, a mercadoria passa por conferência física.
Não diretamente. Quem responde pela declaração é o importador argentino ou o Importer of Record, com um despachante habilitado. O exportador brasileiro participa corrigindo documentos de origem quando necessário.
Sim. Quando o produto não cumpre uma exigência técnica que não pode ser regularizada na Argentina, a reexportação ao Brasil pode ser a solução mais econômica.


